Fazia 13°C e mesmo assim aquela noite nunca esteve tão agradável.A presença dele, mesmo distante, não intima e sem nenhum contato físico me confortava ao ponto de eu não ligar de andar e de passar frio.A vergonha me emudeceu e a ansiedade me deixou estática, atenta à qualquer gesto ou palavra dele.Ficava esperando ele falar algo,qualquer coisa,já que o acanhamento tinha me sugado as palavras.
Ele me abraçava protegendo-me da garoa cortante e atordoante.Seus olhos encontraram os meus numa sintonia perfeita, o abracei rapidamente para não deixá-lo perceber o tom rosado que pairava sob as minhas bochechas.Ficamos abraçados por minutos, e era tudo o que eu precisava naquele momento, principalmente vindo dele.
Corríamos, corríamos rindo, de mãos dadas.Não me recordo o motivo pelo qual corríamos, não me recordo o que se passava pela minha cabeça, mas me lembro perfeitamente da garoa fininha caindo em meus olhos e embaçando a minha visão, da garoa deixando gotículas na minha roupa e cabelos, a falta de ar, os olhares repentinos e como as luzes dos postes deixavam de ser amareladas e num instante ficavam multicoloridas.Dentro de todo esse cenário, num ato ensaiado pelo destino, nossos lábios se encontraram num encaixe perfeito como imãs, mordi seu lábio e logo em seguida olhei em seus olhos negros indecifráveis.Percebi que estávamos correndo ainda.Hipnotizados e com os nossos olhares atados pelo desejo, fomos diminuindo os passos e finalmente paramos de correr, logo a vontade exacerbada de nos termos os corpos colados tomou nossas mentes e sentidos, nos entregamos sem pestanejar.
Fui relutante em não sucumbir aos seus encantos, mas ele me pegou de surpresa, quando me vi estava perdida naquele olhar profundo, realmente me perdi em seu olhar, mas eu sentia que estava ali perto, segura, sã e salva, mas não sabia onde.Os dias se passaram e eu fui me encontrando, me encontrei em seu olhar, em seus pensamentos, no seu sorriso e finalmente me encontrei no seu coração.
Porém, ainda me questiono:
-Por que corríamos tanto?
Talvez estivéssemos fugindo do arrependimento precipitado, porém, nossa fuga não foi em vão e hoje já não vejo motivos para arrependimentos, só vejo motivos para felicidade.
quarta-feira, 21 de outubro de 2009
quarta-feira, 14 de outubro de 2009
Um pequeno descuido e já pisaram no meu jardim.
Seguí o moço, em passos largos e precisos para alcançá-lo, logo o questionei:
-Por que tú fizestes isso com o meu jardim?Terei dias, semanas de trabalho para restaurá-lo.
-Elas estão morrendo.Pisei para você não vê-las morrer.Agora estou responsável por cultivá-las, pois quero que você as veja florescerem.
-Sério?Nunca ví nenhuma flor brotar em meu jardim.
-Pode confiar.
O moço deu uma última olhada em meus olhos, eram olhos negros e profundos, seu olhar me hipnotizou instantâneamente, sem perceber, ele já estava longe, logo sumiu no horizonte.
De manhã acordei e lá estava ele, plantando novas sementes.Curiosa e radiante de felicidade, fui ao seu encontro:
-São sementes de quê? - perguntei, sendo relutante em demonstrar interesse.
-São de Acácia Amarela, dizem que ela trás felicidade, energias positivas..amor...
-Desculpa interrompê-lo, mas nem nos apresentamos...Qual o seu nome, mesmo?
Ele parou de plantar as sementes, ergueu o rosto e seus olhos escuros cor de jabuticaba logo encontraram os meus...e disse sorrindo:
-Literalmente sua futura Acácia Amarela.
Seguí o moço, em passos largos e precisos para alcançá-lo, logo o questionei:
-Por que tú fizestes isso com o meu jardim?Terei dias, semanas de trabalho para restaurá-lo.
-Elas estão morrendo.Pisei para você não vê-las morrer.Agora estou responsável por cultivá-las, pois quero que você as veja florescerem.
-Sério?Nunca ví nenhuma flor brotar em meu jardim.
-Pode confiar.
O moço deu uma última olhada em meus olhos, eram olhos negros e profundos, seu olhar me hipnotizou instantâneamente, sem perceber, ele já estava longe, logo sumiu no horizonte.
De manhã acordei e lá estava ele, plantando novas sementes.Curiosa e radiante de felicidade, fui ao seu encontro:
-São sementes de quê? - perguntei, sendo relutante em demonstrar interesse.
-São de Acácia Amarela, dizem que ela trás felicidade, energias positivas..amor...
-Desculpa interrompê-lo, mas nem nos apresentamos...Qual o seu nome, mesmo?
Ele parou de plantar as sementes, ergueu o rosto e seus olhos escuros cor de jabuticaba logo encontraram os meus...e disse sorrindo:
-Literalmente sua futura Acácia Amarela.
sábado, 10 de outubro de 2009
Flor de Outubro.
Ele afofou a terra e tratou de escolher as sementes perfeitas.As plantou com esmero e delicadeza.Tratou de cuidá-las, de regar, de cultivar com toda a atenção.Era Outubro, e ela estava prestes à florescer.Mas ele foi a esquecendo aos poucos, só regava às vezes, logo foi murchando, ficando fraca,quase secando.É, estava prestes à brotar e descuidou dela.
Eu mesma tentei salvar a frágil Flor de Outubro, que estava ali fraca quase morrendo, porém forte, mas ela não aguentou, foram dias de descuido.
Tratei de eu mesma então plantar novas sementes.Joguei sementes de Açucena,Ciclame e Cravo Roxo e elas brotaram rapidamente, tomando por completo o meu jardim.
Precisava de espaço para cultivar mais dois tipos de flor: Mimosa e Crisântemo Vermelho, mas é preciso um tempo, porquê daqui uns dias, talvez,deixarei de ser ponderante com a Açucena, Cravo Roxo e Ciclame, é, elas não me agradam mais, estavam me dando muito trabalho.Logo só terá espaço para Mimosa e Crisântemo Vermelho, que pretendo cultivá-las e vigiá-las principalmente, para que nenhum moço que estiver de passagem pisem nelas sem perceber.
Eu mesma tentei salvar a frágil Flor de Outubro, que estava ali fraca quase morrendo, porém forte, mas ela não aguentou, foram dias de descuido.
Tratei de eu mesma então plantar novas sementes.Joguei sementes de Açucena,Ciclame e Cravo Roxo e elas brotaram rapidamente, tomando por completo o meu jardim.
Precisava de espaço para cultivar mais dois tipos de flor: Mimosa e Crisântemo Vermelho, mas é preciso um tempo, porquê daqui uns dias, talvez,deixarei de ser ponderante com a Açucena, Cravo Roxo e Ciclame, é, elas não me agradam mais, estavam me dando muito trabalho.Logo só terá espaço para Mimosa e Crisântemo Vermelho, que pretendo cultivá-las e vigiá-las principalmente, para que nenhum moço que estiver de passagem pisem nelas sem perceber.
quinta-feira, 8 de outubro de 2009
Dallas Green, suspiros e a falta de ar.
O som que as gotas da chuva fazem ao encontrar o chão, ou qualquer outro lugar ou objecto sólido, me fazem lembrar daquele dia...o som das gotas encontrando o capo do carro, é o som que mais me recordo daquele dia, junto de Dallas Green, suspiros e a falta de ar que seus beijos me causavam.
Sempre me vêm em mente, a imagem de seu rosto sereno e envergonhado na maioria das vezes, sendo iluminado só até a metade pela Lua artificial que havia ali pertíssimo de nós.Me recordo como era calmo o seu olhar, tentando decifrar minhas expressões e de como nós nos olhávamos e por incrível que pareça isso valia mais que mil palavras.Se tentávamos dizer algo a vergonha nos tomavam,as palavras falhavam e isso tornava o momento mais intrigante ainda.
O encontro de nossos lábios, o toque delicado de sua mão sobre a minha pele pálida, nossos corações batendo ritmados pelo barulho da chuva, era tudo tão simples e comum, mas por ser com você, deixavam de ser simples, pois a cada minuto que se passava eu via como aquela música, aquele momento, seu beijo, você, mexeriam comigo, mudariam a minha vida e minha rotina.E todo dia quando acordo, peço para viver só mais um pouquinho disso, e se não fosse pedir muito, esse pouquinho que peço, queria que durasse uma vida inteira.
Sempre me vêm em mente, a imagem de seu rosto sereno e envergonhado na maioria das vezes, sendo iluminado só até a metade pela Lua artificial que havia ali pertíssimo de nós.Me recordo como era calmo o seu olhar, tentando decifrar minhas expressões e de como nós nos olhávamos e por incrível que pareça isso valia mais que mil palavras.Se tentávamos dizer algo a vergonha nos tomavam,as palavras falhavam e isso tornava o momento mais intrigante ainda.
O encontro de nossos lábios, o toque delicado de sua mão sobre a minha pele pálida, nossos corações batendo ritmados pelo barulho da chuva, era tudo tão simples e comum, mas por ser com você, deixavam de ser simples, pois a cada minuto que se passava eu via como aquela música, aquele momento, seu beijo, você, mexeriam comigo, mudariam a minha vida e minha rotina.E todo dia quando acordo, peço para viver só mais um pouquinho disso, e se não fosse pedir muito, esse pouquinho que peço, queria que durasse uma vida inteira.
Último vagão do trem.

Sai, esquece os problemas.Ela mostra estar alegre,tranqüila,é falante,risonha, feliz e fica bem o dia inteiro, mesmo tomando chuva, ficando resfriada, pegando metrô lotado,mesmo vivendo o caos da cidade, nada a abala,é tudo tão normal,cotidiano ritmado e ensaiado.
Mas essa não é ela.Sempre que a olho nos olhos, consigo ver o que ela sente,lá no fundo de seu olhar,há uma tristeza oculta,que ela não mostra nem pra sí mesma,mente pra sí própria.Essa tristeza poucos decifram,ela sabe como lidar,é uma atriz nata.Além da tristeza,nela paira o medo, e esse medo, fez ela formar um escudo,uma gigante muralha,para se abrigar de desilusões indesejáveis.E esse escudo,mesmo sendo MUITO forte e GRANDE,sempre que ela chega em casa e fala com ele, esse seu escudo faz uma rachadura, e a sua gigante muralha se despedaça e vira pó.Eu sei disso, porque ela sempre me pede auxílio, converso, lhe dou os devidos conselhos, tento confortá-la,mas ela age pelo coração, eu sempre lhe digo "Seja como eu", mas os sentimentos sempre conseguem ser mais fortes que ela.Às vezes não a compreendo,só um pouco na verdade,sempre dou meu máximo,quebro a cabeça escolhendo as palavras certas, mas primeiro ela tem que aprender a enxergar com os olhos e razão para depois pensar em uma solução,se há solução para isso,se há o que pensar.
Ela se sente só,mesmo estando rodeada de pessoas, como se estivesse no último vagão do trem às seis horas da noite em ponto.Com o vagão cheio,lotado,milhares de expressões, maioria delas é de cansaço, estresse, desânimo...milhares de pensamentos,de cabeças funcionando, em frações de segundos,há vida,porém ela está tão vazio,pode ter a quantidade que for e a pessoa que for,se ele não estiver lá,tudo fica tão cinza,frio,vazio,monótono,chato,triste,morto.Porém, se ele estivesse lá com ela,só eles,naquele imenso e cinza vagão,ela encontraria cores alegres onde não existem,o vagão nunca estaria tão cheio de expressões felizes,sorrisos,risos,gargalhadas e pensamentos bons.O vagão estaria cheio de coisas boas,porque é isso que ele faz com ela,preenche qualquer espaço vazio e triste que aparecer ou estiver na vida dela.
Mas essa não é ela.Sempre que a olho nos olhos, consigo ver o que ela sente,lá no fundo de seu olhar,há uma tristeza oculta,que ela não mostra nem pra sí mesma,mente pra sí própria.Essa tristeza poucos decifram,ela sabe como lidar,é uma atriz nata.Além da tristeza,nela paira o medo, e esse medo, fez ela formar um escudo,uma gigante muralha,para se abrigar de desilusões indesejáveis.E esse escudo,mesmo sendo MUITO forte e GRANDE,sempre que ela chega em casa e fala com ele, esse seu escudo faz uma rachadura, e a sua gigante muralha se despedaça e vira pó.Eu sei disso, porque ela sempre me pede auxílio, converso, lhe dou os devidos conselhos, tento confortá-la,mas ela age pelo coração, eu sempre lhe digo "Seja como eu", mas os sentimentos sempre conseguem ser mais fortes que ela.Às vezes não a compreendo,só um pouco na verdade,sempre dou meu máximo,quebro a cabeça escolhendo as palavras certas, mas primeiro ela tem que aprender a enxergar com os olhos e razão para depois pensar em uma solução,se há solução para isso,se há o que pensar.
Ela se sente só,mesmo estando rodeada de pessoas, como se estivesse no último vagão do trem às seis horas da noite em ponto.Com o vagão cheio,lotado,milhares de expressões, maioria delas é de cansaço, estresse, desânimo...milhares de pensamentos,de cabeças funcionando, em frações de segundos,há vida,porém ela está tão vazio,pode ter a quantidade que for e a pessoa que for,se ele não estiver lá,tudo fica tão cinza,frio,vazio,monótono,chato,triste,morto.Porém, se ele estivesse lá com ela,só eles,naquele imenso e cinza vagão,ela encontraria cores alegres onde não existem,o vagão nunca estaria tão cheio de expressões felizes,sorrisos,risos,gargalhadas e pensamentos bons.O vagão estaria cheio de coisas boas,porque é isso que ele faz com ela,preenche qualquer espaço vazio e triste que aparecer ou estiver na vida dela.
sábado, 3 de outubro de 2009
Pôr-do-sol eterno.
Aquele dia que choveu, você acabou ficando gripado, te acolhi em minha casa, cuidei de ti, fiz chá de maçã com canela, fiz cafuné e aqueci a minha cama com o calor de meu corpo para te tirar daquele mal-estar, te deixar confortável.Você adormeceu em meu peito exausto e fraco.Tentei permanecer acordada para te vigiar, mas o sono me pegou de surpresa.Acordei e você não estava mais lá.Olhei pela janela e o céu estava limpo e ensolarado.Havia um espaço vazio na minha cama...quando percebi, alí estava eu: sozinha, com as pernas nuas enroladas sob os lençóis branquíssimos de algodão.Senti um frio passageiro, me arrepiei e senti a minha cama muito fria, pois mesmo estando um sol caloroso lá fora, o meu verdadeiro sol que me mantinha aquecida, resolveu se pôr.
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