Fazia 13°C e mesmo assim aquela noite nunca esteve tão agradável.A presença dele, mesmo distante, não intima e sem nenhum contato físico me confortava ao ponto de eu não ligar de andar e de passar frio.A vergonha me emudeceu e a ansiedade me deixou estática, atenta à qualquer gesto ou palavra dele.Ficava esperando ele falar algo,qualquer coisa,já que o acanhamento tinha me sugado as palavras.
Ele me abraçava protegendo-me da garoa cortante e atordoante.Seus olhos encontraram os meus numa sintonia perfeita, o abracei rapidamente para não deixá-lo perceber o tom rosado que pairava sob as minhas bochechas.Ficamos abraçados por minutos, e era tudo o que eu precisava naquele momento, principalmente vindo dele.
Corríamos, corríamos rindo, de mãos dadas.Não me recordo o motivo pelo qual corríamos, não me recordo o que se passava pela minha cabeça, mas me lembro perfeitamente da garoa fininha caindo em meus olhos e embaçando a minha visão, da garoa deixando gotículas na minha roupa e cabelos, a falta de ar, os olhares repentinos e como as luzes dos postes deixavam de ser amareladas e num instante ficavam multicoloridas.Dentro de todo esse cenário, num ato ensaiado pelo destino, nossos lábios se encontraram num encaixe perfeito como imãs, mordi seu lábio e logo em seguida olhei em seus olhos negros indecifráveis.Percebi que estávamos correndo ainda.Hipnotizados e com os nossos olhares atados pelo desejo, fomos diminuindo os passos e finalmente paramos de correr, logo a vontade exacerbada de nos termos os corpos colados tomou nossas mentes e sentidos, nos entregamos sem pestanejar.
Fui relutante em não sucumbir aos seus encantos, mas ele me pegou de surpresa, quando me vi estava perdida naquele olhar profundo, realmente me perdi em seu olhar, mas eu sentia que estava ali perto, segura, sã e salva, mas não sabia onde.Os dias se passaram e eu fui me encontrando, me encontrei em seu olhar, em seus pensamentos, no seu sorriso e finalmente me encontrei no seu coração.
Porém, ainda me questiono:
-Por que corríamos tanto?
Talvez estivéssemos fugindo do arrependimento precipitado, porém, nossa fuga não foi em vão e hoje já não vejo motivos para arrependimentos, só vejo motivos para felicidade.
quarta-feira, 21 de outubro de 2009
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